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13-09-2018 13 de setembro - Dia da Cachaça: conheça a história e drinques da bebida que vão além da caipirinha

O Dia Nacional da Cachaça é comemorado no dia 13 de setembro e foi oficializado pelo Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac). A famosa bebida já é considerada um patrimônio cultural e histórico do país, sendo utilizada no preparo de um coquetel mundialmente conhecido: a caipirinha. Mas, ao contrário do que muitos pensam, ela é base para variados drinques.

Cana, pinga ou aguardente… o líquido é obtido através da fermentação e destilação do caldo de cana-de-açúcar ou do melaço. Inicialmente, a bebida enfrentava preconceito e resistência. Atualmente, a qualidade e o investimento da indústria cresceu e é possível encontrar produtos com valores que variam de R$ 15 até R$ 3 mil.

De acordo com o mixologista Gustavo Guedes, a bebida faz sucesso no mercado. “Os grande bartenders brasileiros contribuem para a formação de uma identidade nacional dentro da coquetelaria com a cachaça”, opina.

Para comemorar o aniversário da queridinha brasileira, convidamos o mixologista do Contê, Gustavo Guedes, para produzir a Cachaça Sour, um drinque com notas cítricas e aromáticas.

Além dessa, outras misturas são possíveis, para você fazer em casa e comemorar com estilo esta data. Claro, com moderação!

Diávolo

– 50ml de cachaça

– suco de 1/2 limão-siciliano

– pimenta dedo-de-moça

– açúcar

– pimenta-calabresa moída para decorar

Coloque em um prato raso a pimenta-calabresa moída e o açúcar. Umedeça a boca do copo, passando a metade do limão-siciliano em toda a borda. Passe a borda do copo sobre o prato com pimenta-calabresa e açúcar até que fique bem preenchida. Acrescente gelo no copo, adicione a cachaça e o caldo de limão-siciliano com cuidado para não tocar a borda e misture.

Corte a extremidade menor da pimenta dedo-de-moça e fixe-a na borda do copo.

Drinque dos Deuses

– 100ml de leite de coco

– 100ml de suco de maracujá

– 100ml de groselha

– 1 lata de leite condensado

– 100ml de cachaça

– gelo picado

Bater os 5 primeiros ingredientes no liquidificador e acrescentar o gelo na hora de servir.

Drinque com cachaça por André Rochadel

– 1 parte de cachaça

– 1 parte de cachaça Marsala

– 1 parte de espumante

– Água com gás

Em um copo com gelo, misture medidas iguais dos líquidos e complete com água gaseificada.

 

A palavra cachaça é de origem polêmica.

Algumas versões dadas por pesquisadores:

Do castelhano CACHAZA, vinho que era feito de borra de uva;

Da aguardente, que era usada para amaciar a carne de porco (CACHAÇO);

Da grapa azeda, tomada pelos escravos e chamada por eles de cagaça.

A cachaça é genuinamente nacional. Sua história remonta ao tempo da escravidão quando os escravos trabalhavam na produção do açúcar da cana de açúcar. O método já era conhecido e consistia em se moer a cana, ferver o caldo obtido e, em seguida deixá-lo esfriar em fôrmas, obtendo a rapadura, com a qual adoçavam as bebidas.

Ocorre que, por vezes, o caldo desandava e fermentava, dando origem a um produto que se denominava cagaça e era jogado fora, pois não prestava para adoçar. Alguns escravos tomavam esta beberagem e, com isso, trabalhavam mais entusiasmados.

Os senhores de engenho por vezes estimulavam aos seus escravos, mas a corte portuguesa, vendo nisto uma forma de rebelião, proibia que a referida bebida fosse dada aos negros, temendo um levante.

Com o tempo está bebida foi aperfeiçoada, passando a ser filtrada e depois destilada, sendo muito apreciada em épocas de frio. O processo de fermentação com fubá de milho remonta aos primórdios do nascimento da cachaça e permanece até hoje com a maior parte dos produtores artesanais.

Existem atualmente pesquisas de fermentação com diversos produtos denominados enzimas que, aos poucos, estão substituindo o processo antigo.

A cachaça sempre viveu na clandestinidade, sendo consumida principalmente por pessoas de baixa renda e, por isto, sua imagem ficou associada a produto de má qualidade. Mas atualmente ela ascendeu a níveis nunca antes sonhados e hoje é uma

bebida respeitada e apreciada mundialmente, já tendo conquistado a preferência de pessoas de alta classe e sendo servida em encontros políticos internacionais e eventos de toda espécie pelo mundo afora.

Cronologia

Primórdios do XVI

O caldo era apenas consumido pelos escravos, para que ficassem mais dóceis ou para curá-los da depressão causada pela saudade de sua terra (banzo).

Como a carne de porco era dura, usava-se a aguardente para amolecê-la. Daí o nome “Cachaça”, já que os porcos criados soltos eram chamados de “cachaços”.

O apelido “Pinga” veio porque o líquido “pingava” do alambique.

2ª metade do Século XVI

Passou a ser produzida em alambiques de barro, depois de cobre, como aguardente.

Século XVII

Com o aprimoramento da produção, passou a atrair consumidores. Começou a ter importância econômica e valor de moeda corrente.

Ano de 1635

Contrariado com a desvalorização de sua bebida típica, a Bagaceira, produzida do bagaço da uva, Portugal proibiu a fabricação da Cachaça e seu consumo na colônia brasileira.

Menos da metade do Século XVII

A retaliação à Cachaça provou o nacionalismo brasileiro, levando o povo a boicotar o vinho Português.

Final do Século

Portugal recuou quanto à decisão de proibir o consumo da Cachaça brasileira e decidiu apenas taxar o destilado.

Ano de 1756

A aguardente da cana-de-açúcar era um dos gêneros que mais contribuía para a reconstrução de Lisboa, abalada por terremoto em 1755.

Ano de 1789A Cachaça virou símbolo da resistência ao domínio português. O último pedido de Tiradentes: “Molhem a minha goela com cachaça da terra”.

Início do Século XIX

Com as técnicas de produção aprimoradas, a Cachaça passou a ser muito apreciada. Era consumida em banquetes palacianos e misturada a outros ingredientes, como gengibre, o famoso Quentão.

Depois da metade do Século XIX

Com a economia cafeeira, abolição da escravatura e início da República, um largo preconceito se criou frente a tudo que fosse brasileiro, prevalecendo à moda da Europa. A Cachaça estava em baixa.

Ano de 1922

A Semana da Arte Moderna resgatou a nacionalidade brasileira. A Cachaça ainda tentava se desfazer dos preconceitos e continuava a apurar sua qualidade.

Depois da metade do Século XX

A Cachaça teve influência na vida artística nacional, com a “cultura de botequim” e a boemia. Passou a ser servida como bebida brasileira oficial nas embaixadas, eventos comerciais e vôos internacionais. A França tentou registrar a marca Cachaça, assim como o Japão tentou a marca Assai.

Século XXI

A Cachaça está consagrada como brasileiríssima, é apreciada em diversos cantos do mundo e representa nossa cultura, como a feijoada e o futebol.

Em alguns países da Europa, principalmente a Alemanha, a Caipirinha de Cachaça é muito mais consumida que o tradicional Scott.

A produção brasileira de Cachaça já ultrapassa os 1,3 bilhões de litros e apenas 0,40% são exportados.

A industrialização da Cachaça emprega atualmente no Brasil mais de 450 mil pessoas. O Decreto 4.702 assinado em 2002 pelo presidente FHC, declara ser a Cachaça um destilado de origem nacional.

A Cachaça é original do Brasil!

 

Fonte: JBJ-News
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