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09-02-2018 A PF prende, o ministro manda soltar... e as marchinhas não poupam o Gilmar

SOBE SOM “Começou o Carnaval do Gilmar, liberou a brincadeira. Quero ver quem vai dançar, a dancinha da tornozeleira”

Já não há mais batedores de panelas nem manifestações contra os escandalosos casos de corrupção. Mas serão nas ruas e avenidas, em meio à irreverência do Carnaval, que as críticas dos rumos da política nacional vão ecoar. As marchinhas, que andavam sumidas da folia de fevereiro, crescem pelo país, principalmente em cidades como Belo Horizonte, São Paulo e Brasília. Nelas, os blocos de rua se multiplicaram nos últimos anos. E depois de Lula, Aécio, Dilma, Temer e até do “japonês da Federal”, em 2018 a bola da vez é: Gilmar Mendes.

Sim, o ministro do Supremo Tribunal Federal, famoso por soltar graúdos envolvidos em maracutaias, é tema de marchinhas de Carnaval este ano. A inspiração vem dos habeas corpus concedidos pelo ministro, que mandaram pra casa, enfeitados com suas tornozeleiras eletrônicas, figuras como o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho; sua mulher, Rosinha Mateus; o ex-ministro dos Transportes e presidente do PR, Antônio Carlos Rodrigues; e o empresário Jacob Barata Filho, o ‘rei do ônibus’ no Rio. Isso pra citar só alguns.

SOBE SOM “Eu roubei, eu roubei, eu roubei/ Não estou preso à toa. / Mas no mundo não há quem escape de uma conversinha boa. / Alô, alô Gilmar/ eu to em cana/ vem me soltar/ Alô alô Gilmar/ eu to em cana/ vem me soltar”

Autor de clássicos como “A Cabeleira do Zezé”, “Mulata Bossa Nova”, “Bota Camisinha” e “Maria Sapatão”, entre tantas outras, João Roberto Kelly, chega agora com "Alô Alô Gilmar". Aos 79 anos, é veterano nas marchinhas. As compõe há pelo menos 50 anos. Ao ver tanto o ministro do Supremo no noticiário, não pensou duas vezes para transformá-lo em tema de sua música. João Kelly não espera ter problemas com a nova canção. Para ele, vale a irreverência do Carnaval. Sem censura e sem a patrulha do politicamente correto.

“Porque o carnaval é negação disso. O carnaval é a brincadeira do faz de conta né?! Você querer fazer politicamente correto no carnaval eu não acho de bom gosto, não é?!”

O músico Dani Battistoni e o letrista Thiago de Souza fizeram uma brincadeira em 2016 que se espalhou pelo Whatsapp. Gravaram do celular mesmo a marchinha do Japonês da Federal. O policial Newton Ishii, que aparecia nas primeiras grandes prisões de poderosos pegos pela Lava Jato, ainda não tinha a alcunha que levou dos Marcheiros. Mas a música pegou. E, junto, o apelido. Agora a dupla vem com a Marchinha do Gilmar – entre parênteses (soltou a franga).

SOBE SOM “Na minha rua mora um machão/ ele é um cara mal./ Temido por polícia e ladrão, isso até chegar o Carnaval/ Já na sexta-feira à noite, se monta todo para desfilar. /Por onde ele passa a moçada vai dizendo, deixa o Gilmar soltar. / Gilmar soltou ôoo, soltou a franga/ Largou a toga e agora só anda de tanga”

Dani Battistoni destaca que a brincadeira é mais séria do que pode parecer.

“Na verdade, é uma maneira de humor, lógico, porque o humor torna as coisas mais leves. Mas ao mesmo tempo o humor atrai as pessoas pra um assunto que é importante. Porque ouve uma música nossa, por exemplo, e vai atrás pra saber o que que tá falando, pra entender melhor, né?!”

Os mineiros do Orquestra Royal já lançaram dois hits para o Carnaval deste ano. Depois do Baile do Pó Royal, de 2014, em referência ao helicóptero do filho do senador Zezé Perrella carregado de pasta base de cocaína, o grupo de dez amigos vem com a Dancinha da Tornozeleira.

SOBE SOM “Relaxa o garotinho e solta o Bicudo. Abraça o mineirinho, com o Supremo, com tudo/ Cuida da Rosinha, adula o Angorá/ Libera o Barata, faz acordo com o Jucá.../ Começou o Carnaval do Gilmar, liberou a brincadeira. Quero ver quem vai dançar, a dancinha da tornozeleira”

O músico Gustavo Maguá é um dos responsáveis pelo grupo, que também compôs o Bolsomico, em referência ao deputado federal Jair Bolsonaro. Para ele, as marchinhas de duplo sentido voltam a fazer sucesso entre os jovens, que passaram a engrossar os bloquinhos de rua em Belo Horizonte. A escolha de Gilmar Mendes ou Bolsonaro, diante de tantos nomes que estiveram no noticiário político/policial este ano, tem uma explicação.

“No caso, tanto o Gilmar, quanto o Bolsonaro ou o Alexandre Frota, são pessoas que a gente acredita que não nos representa né?!”

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