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08-01-2019 AEROPORTO MUNICIPAL DE TOLEDO Da pista construída em 52 horas aos voos comerciais: Uma história de pousos e decolagens

O Aeroporto Municipal de Toledo é marcado por altos e baixos. No próximo dia 9 de janeiro, depois de oito anos, o município volta à rota aeronáutica pela Azul Linhas Aéreas. O retorno da linha comercial a Toledo, que no final da década de 90 chegou a ter dois voos diários de 30 passageiros, é o check-in para o desenvolvimento regional.  Um embarque que será possível pela persistência de muitas pessoas, que há 66 anos trabalham para ver Toledo decolar.

Essa história começa no ano de 1953, com a escolha do local do aeroporto. Segundo os relatos do livro “Toledo no Paraná – de Ondy Hélio Niederauer” *, Willy Barth, diretor da colonizadora Maripá, escolheu um grande planalto a nordeste da cidade. O espaço era limpo, sem árvores, coberto por vasto samambaial, que no inverno secava pelas geadas e depois era incendiado. O local tinha topografia adequada e ventos predominantes no sentido norte-sul.

A construção do campo de aviação para a jovem Toledo foi marcada pela união da comunidade. Alguns homens começaram os trabalhos com três tratores, uma motoniveladora e tambores de óleo. O fato chamou atenção da comunidade, que foi ajudar, montando até uma cozinha. Os homens deixaram os serviços da cidade e foram construir a pista. Foram duas noites de trabalho, com pessoas se revezando e a montagem de uma usina portátil improvisada.

EMBARQUE

18/02/1952: Primeiro avião a pousar no campo de aviação de Toledo, um dia depois da pista estar pronta.

A força tarefa resultou na construção da pista em 52 horas, iniciando em uma sexta-feira, 20 de fevereiro de 1953, e terminando ao meio dia do domingo, dia 22, com uma pista em terra batida de 70 por 1200 metros.  Neste mesmo dia aconteceu o primeiro pouso no aeroporto de Toledo. Um avião de treinamento, um “Paulistinha”, depois de sobrevoar a pista várias vezes fez uma aterrisagem.

No dia 24 de janeiro de 1954 foi inaugurado o Aeroporto Major Wilson França em Toledo, em homenagem ao chefe da Divisão Administrativa da Escola de Oficiais Especialistas de Curitiba, que teve papel importante na homologação do aeroporto, assim como na criação do Aeroclube de Toledo.

Em pouco tempo a pista foi alargada para 100 por 1450 metros e ambas as cabeceiras ensaibradas. Assim o aeroporto decolou como um dos preferidos no Estado, devido sua topografia. No início o aeroporto recebia pequenas aeronaves com compradores de terra do Norte do Paraná e de Porto Alegre e de alguns táxis-aéreo, depois aumentou sua representatividade na aviação.

DECOLAGEM

24/01/1954: Inauguração oficial do Aeroporto de Toledo

No dia 17 de agosto de 1954, o Douglas DC-3, prefixo PP-CID dos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul aterrissou no aeroporto marcando o voo comercial inaugural de Curitiba para Toledo. No ano seguinte o aeroporto tinha uma empresa aérea em operação. No dia 30 julho de 1955 a Real Transportes Aéreos passou a ligar Toledo a Porto Alegre com escalas intermediárias.

O aeroporto ficava cada vez mais movimentado. Em 30 de agosto de 1956 a Sociedade Anônima Viação Aérea Gaúcha (SAVAG) iniciou linha de Sant’Ana do Livramento até Toledo, com escala em Porto Alegre. Já em 26 de dezembro de 1963 a SADIA Transporte Aéreos, depois Transbrasil, inaugurou voos para Toledo. Havia dias que o modesto aeroporto, construído em 52 horas, recebia até três aviões de passageiros de linhas regulares.

POUSO

26/12/1963: Primeiro voo do turbo hélice da Sadia a Toledo. Prefixo APP-ASU

Mas, anos depois o transporte rodoviário ganhou destaque e as empresas aéreas venderam suas aeronaves. O aeroporto de Toledo voltou a receber apenas voos de aviões de pequeno porte e poucos investimentos. Essa fase demorou décadas. O aeródromo também mudou de nome para Aeroporto Municipal Luiz Dalcanele Filho, pelo afastamento do Major Wilson França do município e como forma de homenagear um dos sócios fundadores da Maripá, que foi diretor da colonizadora e que muito contribuiu com o desenvolvimento de Toledo.

Diante do período de subutilização do aeroporto, mais uma vez a determinação de quem vislumbrava um futuro mais promissor para o município mudou a realidade. Manuel Raimundo de Carvalho (Cacá), então administrador do aeroporto, realizou um trabalho com as lideranças de Toledo e Ministério da Aeronáutica, com a colaboração de empresas locais, inclusive a Maripá, para o asfaltamento da pista de pouso e decolagem.

A nova pista pavimentada tinha a extensão de 30 por 1.610 metros, era equipada até com balizamento para operações noturnas.  O aeroporto, que tinha homologação para as categorias A e C, com PCN para operações de aviões até 50 passageiros voltou a alçar voo.

A BORDO

02/04/1962: Um dos dias mais movimentados do aeroporto: atos fúnebres de Willy Barth

O aeroporto de Toledo, voltou a ter rota comercial. Em 1999 voos regulares da Rio Sul-Varig ligavam Toledo a São Paulo e Curitiba, aeronaves para 30 passageiros pousavam duas vezes por dia em Toledo, chegando a receber um voo com 50 passageiros na Festa Nacional do Porco do Rolete daquele ano. Foi o ápice do aeródromo municipal.

A empresa operou por alguns anos no município. Porém, novamente o aeroporto passou por um momento de baixa e ficou cerca de dez anos atendendo apenas voos particulares. Novamente esforços da comunidade e lideranças resultaram em mais uma decolagem. Em 2011 a empresa Sol Linhas Aéreas possuía rotas para Umuarama e Curitiba, utilizando uma aeronave LET L-410. As últimas linhas comerciais duraram de agosto a outubro daquele ano.

CONEXÃO

06/08/1956: Avião da SAVAG no Aeroporto de Toledo

Desde então o avião está em solo. Mas, investimentos públicos e da iniciativa privada, representatividade política e envolvimento da comunidade fizeram deste tempo uma conexão para que, novamente, Toledo volte a ganhar os céus.  Um período que virou um novo capítulo dessa história, ainda a ser lido na sala de embarque.

*Referência:  Toledo no Paraná a História de um Latifúndio Improdutivo, Sua Reforma Agrária, Sua Colonização, Seu Progresso – de Ondy Helio Niederauer.

Mais fotos da história do Aeroporto de Toledo: http://bit.ly/historiaaeroporto
 

SOMA DE ESFORÇOS
Dedicação e investimentos recolocam Toledo na rota da viação comercial


Em melhorias da infraestrutura do aeroporto foram investidos nos últimos cinco anos mais de R$ 6,5 milhões.

“Na luta pelo progresso, só vale o sucesso”. A frase de Santos Dumont expressa a busca do retorno dos voos comerciais a Toledo. Desde a última decolagem, em outubro de 2011, muitas pessoas somaram esforços para tornar possível essa conquista, que se concretiza no dia 9 de janeiro com a operação da Azul Linhas Aéreas.

Para evidenciar o potencial do Aeroporto Municipal Luiz Dalcanale Filho foram necessários muitos investimentos, dedicação e trabalho de toda a comunidade. Gestores municipais, representantes parlamentares, empresários e Associação Comercial e Empresarial de Toledo (ACIT) uniram forças para que Toledo recebesse a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e, claro, despertasse o interesse das empresas de viação.

ESTRUTURAÇÃO

Em melhorias da infraestrutura do aeroporto foram investidos nos últimos cinco anos mais de R$ 6,5 milhões. Em 2012 através de um convênio com o Estado foi possível aplicar mais de R$ 660 mil para aumentar o PCN, que é o indicador de resistência do pavimento da pista, de 8 para 33, para possibilitar pousos e decolagens de aviões com maior capacidade de passageiros.

Em 2013 a Secretaria de Aviação Civil (SAC) anunciou a inclusão do aeroporto de Toledo no Programa de Aviação Regional, que visava a melhoria na qualidade dos serviços e da infraestrutura aeroportuária brasileira. Uma segunda pista, com 2,8 mil metros, seria construída, porém, anos depois o programa foi cortado sem a contemplação de Toledo. A justificativa foi a proximidade com outros aeroportos, falta de demanda e desinteresse das companhias aéreas.

UNIÃO

A sociedade de Toledo, todavia, sabia da necessidade deste modal e não desistiu. Em 2015 uma parceria muito importante entre a Prefeitura de Toledo e a ACIT possibilitou obras físicas e compra de equipamentos. Foram adequados terminal de passageiros, estacionamento e seção contra incêndio.

Ainda em 2015 houve a reclassificação da capacidade do aeroporto pela Anac, aumentando de 46 para 120 passageiros. Em dois anos foram aplicados R$ 2,1 milhões, porém ainda não foram atendidas todas as exigências da Anac para a liberação dos voos comerciais.

Com investimentos ainda a serem feitos e a necessidade de atrair empresas, em 2017 uma nova força tarefa foi realizada. O deputado estadual José Carlos Schiavinato, o deputado federal Dilceu Sperafico, o prefeito Lucio de Marchi, a Acit e algumas lideranças locais iniciaram uma luta incansável. “Sabíamos do potencial de nosso aeroporto e da importância para o desenvolvimento regional dos voos e assumimos esse compromisso. Temos trabalhado para isso desde prefeito”, revela Schiavinato.

TRATATIVAS

Em 2017 foram aplicados mais de R$ 380 mil de recursos próprios do município para adequações físicas. Os deputados buscavam também investimentos de outras esferas. Concomitante à viabilização financeira e diante do incentivo fiscal do Governo do Estado com a Azul para ampliação de operações comerciais, os representantes de Toledo iniciaram uma jornada para atrair os olhares da empresa para o município.

No dia 11 de agosto de 2017 uma primeira reunião com a companhia foi realizada em São Paulo na tentativa de solucionar o problema de logística aeroportuária na região. O aeródromo de Toledo foi apresentado como um dos melhores da região, pela localização, investimentos e condições climáticas. No dia 20 de outubro o Airbus presidencial pousou em Toledo confirmando os argumentos.

Os vereadores de Toledo também tiveram importante participação ao aprovarem a redução de taxas operacionais do aeroporto em 80%, ficando uma porcentagem maior da operação para a empresa, aumentando a viabilidade econômica para a companhia.

Com todos os fatores positivos, as tratativas continuaram e no dia 9 de novembro, em uma segunda reunião com a empresa, foi sinalizada oficialmente a pré-operação de um voo comercial no aeroporto municipal. Porém, mais adequações do espaço para que a companhia pudesse operar foram necessárias. “Novamente trabalhamos intensamente para conseguir recursos”, descreve o deputado.

Mais uma vez a parceria do poder público e sociedade civil resultou em investimentos. Em 2018 foram mais de R$ 3,3 milhões aplicados em diversas obras, serviços e equipamentos, sendo R$ 368 mil pela ACIT e R$ 1,5 milhão pelo Governo do Estado, intermediado pelo deputado Schiavinato.

Finalmente, depois de toda essa luta: o sucesso. No dia 14 de novembro a Azul anunciou voos em Toledo a partir do primeiro mês de 2019. “O retorno dos voos comerciais a Toledo é resultado de um trabalho conjunto de muitos, por anos. É um grande avanço, pois atrai visitantes, investidores, fomenta a economia e o crescimento de nosso município”, comemora o parlamentar.

AGRADECIMENTOS

Ele lembra que muitas pessoas são responsáveis por Toledo disparar no cenário da viação. Recorda que Manoel Raimundo de Carvalho “Cacá” já vislumbrava no passado esse presente e que muitos trabalharam para que se tornasse realidade. Politicamente houve o empenho de governantes do Estado, representantes na esfera Estadual e Federal e prefeitos. “Temos que agradecer a todos, desde a década de 80 que uniram forças para que hoje os voos comerciais retornassem”, salienta.

Pelo Estado fizeram parte dessa história os governadores José Richa, Álvaro Dias, Jaime Lerner e Beto Richa. Como deputados que levantaram a bandeira do aeroporto de Toledo estão Sabino B. N. de Campos e Nelton Friedrich e mais recente os deputados estaduais Duílio Genari e Schiavinato e federal Dilceu Sperafico. Já prefeitos o Albino Corazza, Luiz Alberto de Araújo . Derli Donin, Schiavinato, Beto Lunitti e Lucio de Marchi tiveram participação nessa conquista. "Diante dessa força tarefa, os agradecimentos são a todos que muito fizeram", finaliza Schiavinato.

Fonte: VivaOeste
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